Nos últimos três anos, Thyago Nogueira viajou repetidas vezes por cidades que margeiam o rio São Francisco, refazendo uma rota que já foi de comércio e migração. As viagens deram origem a este ensaio fotográfico. [Eder Chiodetto]... LEIA MAIS
... No entanto, o que soava como um projeto clássico de fotografia documental, se desvirtuou em alguma curva do rio.
A exuberância da paisagem, as embarcações e a diversidade de pessoas passaram ao largo da câmera, esse aparelho pretensamente objetivo. A fotografia, criada para atestar a existência do que é visível, aqui pode ser entendida também como um detector de ausências. Ausência humana, do tempo presente e da funcionalidade das coisas.
Por lugares não nominados o olhar de Thyago vagueia, prescinde do momento decisivo e fotogênico, para enfim se deter sobre cenas flagradas em suspensão temporal, repouso e silêncio. Hiato deixado pelo tempo transcorrido e a espera da próxima ocorrência. Inventário subjetivo que transfigura uma dada região a golpes de vista, luz e cor.
Do instante represado na câmera, restam fotografias. Não há pessoas, não há o rio, não há tempo determinado. Apenas fotografias. Mas o que há nas fotografias? Há pessoas, há o rio e há o tempo. Sorrateiramente aparentes.
Eder Chiodetto
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Exposição: 25 de outubro a 9 de dezembro de 2007, Museu da Imagem e do Som [MIS], São Paulo. Projeto patrocinado pela Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo.
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